Orllan, o Último Saci, de J.A.R. (Dante) Ostemberg, é uma obra que reinventa o imaginário popular brasileiro, unindo o misticismo do folclore às inquietações da modernidade. O personagem-título, Orllan, surge como um símbolo de resistência cultural, um ser mítico que atravessa fronteiras e tempos, desafiando o esquecimento e convidando o leitor a redescobrir suas raízes
A narrativa propõe um diálogo entre o passado e o presente, entre o real e o fantástico. Em um mundo cada vez mais tecnológico e globalizado, Orllan reaparece como guardião da natureza e da sabedoria ancestral, mostrando que o folclore ainda tem muito a ensinar sobre equilíbrio, respeito e identidade.
Ostemberg transforma o Saci em um arquétipo contemporâneo, um andarilho entre mundos que carrega em sua perna só o peso da tradição e o impulso da transformação. Ele é ao mesmo tempo mito e homem, espírito e consciência, figura que se adapta às novas paisagens da modernidade sem perder o sopro mágico que o originou.


As ilustrações de Marcos Miranda reforçam essa ponte entre o antigo e o novo, revelando um universo visual onde o surrealismo e o realismo se entrelaçam. Cada traço amplia o poder simbólico da obra e convida o público a experimentar o folclore como algo vivo, pulsante e atual.
Em Orllan, o folclore não é lembrança do que passou, mas semente do que ainda pode florescer. A modernidade, em vez de apagar as lendas, torna-se o palco onde elas renascem — e Orllan, o último Saci, torna-se o mensageiro dessa nova era de encantamento e consciência.

Deixe um comentário