O folclore não é imutável, embora muitos pensem — e alguns queiram — que seja. Ele vive, respira e se transforma conforme o tempo e o olhar das novas gerações. “Orllan, o Último Saci”, obra do escritor J.A.R. (Dante) Ostemberg, surge como um marco dessa renovação, ressignificando um dos personagens mais emblemáticos do imaginário nacional. Nessa narrativa contemporânea, o Saci deixa de ser apenas o travesso das matas e torna-se símbolo de consciência ambiental, sabedoria ancestral e resistência cultural.

Orllan é o resultado de uma tríade mítica: a fusão de três diferentes sacis, cada um com dons, memórias e perspectivas distintas. Dessa união nasce uma entidade mais complexa e profunda, capaz de dialogar com o mundo moderno sem perder a essência do fantástico. Ele carrega a herança do vento, o poder da natureza e a missão de proteger o equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. Assim, o mito se reconfigura, ganhando novas camadas de significado e relevância

Na obra, o autor combina elementos do real e do simbólico, criando um universo em que o folclore se encontra com a sustentabilidade. Orllan é um mensageiro ecológico, um herói do tempo presente que luta contra as forças da destruição e do esquecimento. Seu propósito vai além da magia: ele representa a urgência de preservar o planeta e as tradições culturais que nos definem.

Com linguagem poética e visão universalista, Dante Ostemberg propõe uma leitura crítica sobre a relação entre o homem e a natureza, mostrando que a sabedoria popular é, também, um caminho para o futuro. “Orllan, o Último Saci” não apenas reconta o mito — ele o reinventa, fazendo do folclore brasileiro uma ponte viva entre passado, presente e porvir.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *